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Entrevista: Doryan Yates...essa é
animal!!!!!
"Taí galera, essa
entrevista é bem longa mas é muuuuito boa, aplausos ao Doryan,
um dos maiores ícones da história do
bodybuilding internacional......aproveitem!!!
abraços"
Conversando com
Dorian Yates
Por Brian D.
Johnston
Tradução: Kleber Nunes
BDJ: Sua primeira
aplicação séria ao exercício, enquanto sendo um treinamento
breve, intenso e infreqüente, foi altamente influenciado por
Arthur Jones e Mike Mentzer. O que o levou a escolher aquela
direção ao invés de métodos mais tradicionais?
DY: Eu sou um pensador muito lógico e a informação de Jones e
Mentzer chegou até mim de uma maneira lógica. Eu também sou uma
pessoa do tipo de que se eu tiver que fazer algo, eu primeiro
observarei a natureza da ação, analiso, e obtenho o máximo de
informação sobre isso o quanto eu possa. Eu não me lembro sobre
como eu encontrei toda a informação necessária para tomar minha
decisão, mas eu tentei armazenar tantos dados quantos eram
possíveis, decifrei e vi o que fazia sentido. Então eu combinei
aquela informação com a experiência prática e escutando meu
corpo de perto. Rapidamente eu descobri que uma vez tendo
ultrapassado um certo nível de volume ou freqüência (n.t. de
treinamento) eu experimentava os sinais de overtraining, quando
você não está se recuperando, quando você não dorme bem, quando
seu sistema nervoso sofre uma baixa e quando você já não faz
progresso. Isto indicou claramente para mim que eu precisava
reduzir e alterar ligeiramente minha abordagem – ao treinamento.
Durante os anos eu refinei meu programa baseado nos princípios e
relações de intensidade, volume, freqüência e recuperação
adequada. Assim, embora lendo as informações dadas por Jones e
Mentzer, tendo conversado e treinado com Mentzer algumas vezes,
eu peguei o que eles disseram e combinei isto com métodos
tradicionais e criei meu próprio híbrido de treinamento de alta
intensidade. Eu não concordo com algumas das coisas ditas por
Jones e Mentzer, inclusive sobre o treinamento do corpo inteiro
em uma sessão.
BDJ: Eu concordo. No
treinamento de pernas eu fico praticamente esgotado... Se não
fisicamente, pelo menos mentalmente.
DY: Sim... Isso é simplesmente muita coisa. Algumas coisas soam
bem teoricamente, mas elas não funcionam na prática. Assim, você
tem que combinar as duas. Aqui é onde você lê ou reflete a
respeito da abordagem teórica, então aplica isto ao seu
treinamento, enquanto faz ajustes ao longo do caminho. Se não
funcionar de modo prático, então aí está a sua resposta. Você
não deve se abater e pensar, " bem, por que não está funcionando
"? Você tem que se mexer e procurar por qualquer outra coisa,
enquanto ainda adere aos princípios da alta intensidade. Eu
tenho pegado qualquer informação que eu achei útil e descartado
o resto. Eu tenho feito isto com pessoas desde os graus mais
baixos do bodybuilding até o topo, inclusive Mentzer e Jones. Eu
sempre sou ávido por algo novo. Mas entre todos, ninguém alguma
vez foi meu treinador ou nutricionista. Ao invés, eu escuto
sugestões e aproveito o que eu quero e descubro o que funciona
ou não funciona para mim. Isso é o que me atraiu ao bodybuilding...
Eu era o responsável pela vitória ou derrota.
BDJ: Você aplicava
alguma tática de treinamento em particular ou alguma variável de
intensidade a um grupo muscular deficiente?
DY: Isso tem muito a ver com o que eu fazia. Para músculos em
deficiência eu os treinaria no começo de um treinamento ou perto
do começo, quando meus níveis de energia mentais e físicos eram
mais altos. Eu também usava diferentes técnicas de intensidade,
mas não todas ao mesmo tempo. Obviamente eu treinava até a
fadiga, e então incluía repetições forçadas e negativas
adicionais algumas vezes. Eu sempre enfatizava a fase negativa
desde que esta é da mesma maneira tão importante ou mais
importante que a fase positiva, sendo que muitas pessoas
esquecem disso e só se concentram em erguer o peso. As
micro-lesões acontecem principalmente durante a fase negativa
que é responsável pela resposta de crescimento. Quando eu fazia
as negativas por último, elas eram feitas em máquinas devido a
um melhor controle. Às vezes eu também usava uma versão
modificada do sistema de repouso-pausa, treinando pesado para
5-6 repetições, descansando durante aproximadamente 10 segundos,
e fazendo outras 1-2 repetições. Eu também fazia drop sets,
enquanto executava 6-8 repetições até a fadiga, diminuindo um
pouco o peso, fazendo então outras 3-4 repetições até a fadiga,
ou ainda parciais ao término da série. Eu tentei
pré-esgotamento, mas não funcionou para mim... Esse é um exemplo
de um método tradicional de alta intensidade que soa bem
teoricamente, mas que não funciona tão bem na prática.
Freqüentemente as pessoas cometem o erro de que se eles têm um
grupo muscular de desenvolvimento lento, pensar que eles
deveriam aumentar o volume ou a freqüência, e isso não vai
ajudar.
BDJ: Relativo ao
pré-esgotamento, eu conheço alguns indivíduos que obtiveram
resultados excelentes nessa técnica. Obviamente isso é algo do
indivíduo. Você, por exemplo, provavelmente tem uma taxa
extremamente alta de fibras de contração rápida ao longo de seu
corpo e uma taxa muito rápida de fadiga.
DY: Eu executei pré-esgotamento no passado, mas só na forma de
séries normais, diretas. Por exemplo, eu começaria meu trabalho
de pernas com extensões de perna, então em seguida eu descansava
antes de passar para o leg press. Eu descobri que o
pré-esgotamento tradicional era mais aeróbio... Muito mais um
treinamento cardiorespiratório e nem tanto um treinamento
muscular. Fazer o pré-esgotamento tradicional foi um dos
treinamentos mais duros que eu alguma vez executei... eu quase
não podia respirar... mas eu não sentia que me desse um ótimo
estímulo muscular. Eu tive que adaptar o método e descansar o
suficiente.
BDJ: Você descobriu que havia a necessidade de descanso físico
ou mental?
DY: Era mais físico, mas também era mental. Enquanto você está
fazendo extensões de perna e você sabe que logo você estará
fazendo leg press, seu foco fica dividido. No fundo em sua mente
você sabe você que você tem que saltar fora de uma máquina e ir
direto para cima da outra. Eu gosto de estimular, aniquilar, e
então descansar. Eu não acredito em pressa entre os exercícios.
Para mim, apressar as séries é um treinamento aeróbio. Mover-se
depressa de um exercício para outro freqüentemente resultará em
cansaço cardiorespiratório, especialmente para os músculos das
pernas, por eles serem tão grandes.
BDJ: Você alguma vez
implementou um protocolo de treinamento que provou ser
prejudicial para o seu progresso?
DY: Provavelmente meu maior erro foi tentar usar os mesmos pesos
e a mesma intensidade (i.e., treinar além da fadiga) direito até
a competição. Técnicas de alta-intensidade são ótimas para
estimular crescimento se você tiver calorias e descanso
suficientes. Mas quando você se prepara para uma competição, sua
meta deveria treinar para manter músculo e reduzir a
possibilidade de lesão. Isto é especialmente verdade se sua
energia e níveis de gordura corporal forem baixos e você estiver
trabalhando seus músculos e articulações com dureza. Inclusive,
quando sob dieta e treinamento duro você não dorme tão bem, o
que significa que você não consegue se concentrar tão bem. Todos
esses fatores aumentam seu risco de lesões. Isto também aumenta
seu risco de ficar catabólico porque você está aplicando toda
aquela tensão; e a falta de calorias e descanso faz com que
fique mais difícil recuperar-se. Se eu tivesse que fazer tudo
novamente, eu deixaria de treinar até a fadiga, ou até mesmo
perto da fadiga, parando 1 a 2 repetições próximas do esforço
total. Isto daria estímulo o bastante para manter os músculos
enquanto você se concentra em reduzir a gordura corporal.
BDJ: Eu entendo que
você tem uma preferência pelos pesos livres.
DY: Não, não particularmente. Há muitos exercícios básicos que
são ideais com pesos livres, mas se você analisar minhas rotinas
durante os anos, elas tem sido uma combinação de máquinas e
pesos livres. Eu penso que ambos têm suas vantagens e
desvantagens, e uma combinação dos dois é melhor que usar
exclusivamente um deles.
BDJ: Você descobriu
que você pode executar menos exercício com máquinas? Eu acho que
há estimulação maior e mais direta com máquinas, produzindo
maior estímulo desde que não há nenhum esforço necessário para
equilibrar o peso.
DY: Não necessariamente. Basicamente, eu acho que as máquinas
isolam melhor o músculo e você não tem que gastar energia
equilibrando o peso, distintamente do treinamento com pesos
livres. Mas uma das desvantagens das máquinas é que, elas
produzem um movimento fixo... Um padrão fixo. Se eu uso isto ou
você usa isto, é o mesmo padrão. Mas se eu executo uma rosca com
halteres, e então você executa uma rosca com halteres, e isso
for analisado em um computador e tela de vídeo, você veria que
ambos seguiram um padrão diferente. Cada um segue uma
biomecânica mais natural e individual.
BDJ:
Neurologicamente, os pesos livres provavelmente têm uma vantagem
nessa consideração.
DY: Sim, e é por isso que eu acho que eles são tanto melhores
para o treinamento de força e de potência, e treinamento
atlético. Consequentemente há algumas coisas que você pode fazer
com máquinas e não com pesos livres, e algumas coisas você pode
fazer com pesos livres e não máquinas, e vice-versa. A melhor
situação é uma combinação de ambos.
BDJ: Quais técnicas
psicológicas você emprega durante seus treinamentos?
DY: Eu mantenho um diário de treinamento e de nutrição. Todo
treinamento deve ser anotado, quais exercícios, o peso usado,
etc. Antes de ir para o ginásio eu revisaria o meu último
treinamento, o peso, as repetições, e visualizaria o que eu
queria fazer naquele dia, a ponto de usar certas roupas em
certos dias, só para alcançar um certo estado de espírito. Eu
visualizaria quanto peso iria erguer, quantas repetições, e como
eu iria fazer os exercícios. No momento em que eu chegasse no
ginásio eu estaria totalmente motivado psicologicamente e
sabendo quais metas eu queria alcançar. Eu veria de novo aquele
filme mental enquanto estivesse no treinamento.
BDJ: Eu não acredito
que haja muitos fisiculturistas, inclusive profissionais que
monitoram seus próprios progressos ou mantêm um diário de
treinamento.
DY: Eu tenho sido questionado por certos fisiculturistas, sobre
o treinamento. Eu lhes perguntava o que eles haviam feito da
última vez, ou no ano passado. Eles respondiam, "eu não estou
realmente seguro... eu realmente não consigo me lembrar". Você
nunca vai aprender qualquer coisa se este for o caso. Se você
mantiver um registro, você pode ver como você progride, como seu
corpo reage, o que funciona e o que não funciona. Isso lhe
permite refinar as informações. Mas se você torna isso um jogo
de adivinhação, então será como um capitão em um navio sem mapa
nem curso, enquanto flutua por aí esperando chegar onde se quer
chegar.
BDJ: Talvez duas das
perguntas mais comuns feitas aos fisiculturistas profissionais
são: Que drogas você tem usado, e quanto você gasta anualmente
com drogas? Você se preocupa em responder?
DY: Eu sou questionado sobre isso sempre que eu faço seminários.
Aí existe um limite tênue. Eu não quero ser evasivo como se eu
estivesse tentando manter algum segredo. Mas eu também tenho uma
responsabilidade na qual eu não gosto de recomendar ou falar de
doses porque entre os muitos leitores de revistas estão
incluídos crianças e jovens. Certas revistas, e certas pessoas
que escrevem para as revistas, estão sendo muito irresponsáveis
em recomendar certas coisas, ou em dizer que "todos os
profissionais fazem isso e aquilo". Em um artigo, eu fiquei
horrorizado em ler a respeito do que os profissionais
supostamente fazem. Isso chegou a um ponto onde se acredita que
o modo como a pessoa treina ou a genética não tem nada a ver,
mas sim o uso de drogas. Então as crianças lêem isso, acreditam
que é verdade e pensam que tudo o que eles precisam são das
drogas. Eu digo que eu não usei nada que não fosse acessível
para qualquer outro fisiculturista. Eu não usei nada não usual.
Mas comigo, morando na Inglaterra, em uma área isolada e
quebrando barreiras em tamanho muscular, começam a surgir todos
os tipos de rumores. Eu usei a mesma coisa que todo mundo...
deca durabolin, testosterona, orais... e tudo isso já existe há
pelo menos durante uns 20 ou 30 anos. As pessoas pensam que eles
podem tomar estas coisas e fazer ganhos incríveis. Não funciona
desse modo. Os esteróides ajudam o processo de construção
muscular, mas não são somente eles os responsáveis. Você ainda
precisa treinar duro, comer bem, e descansar o suficiente.
BDJ: Suas
fotografias de antes e depois no início dos anos 90 são
legendárias e muito impressionantes. Foi no período quando você
iniciou seus experimentos com GH?
DY: Na verdade não foram. Eu os utilizei antes dessa época. A
razão pela qual eu fiz tais progressos naquele ano foi devido ao
fato de que eu soube que Haney estava se aposentando e eu
precisava atingir um extremo acima dos outros competidores que
eram menores do que eu. Eu queria entrar super denso, super em
forma e maior do que nunca. Nos anos anteriores eu sacrifiquei
muito músculo e diminuía muito. Eu estava numa condição bastante
competitiva cerca de 5-6 semanas antes da competição, mas
mantinha a dieta e encolhia... Tentando ficar mais denso e mais
denso. Então, eu analisei e percebi que eu precisava retificar o
problema e sabia que eu poderia entrar muito maior e na mesma
condição sem sacrificar tanto músculo. Assim, foi uma mudança na
nutrição, que eu fiz entre 1992 e 1993 que fez a diferença. Eu
sei que é difícil para algumas pessoas acreditarem, mas é assim
que aconteceu.
BDJ: Eu entendo o
que você está dizendo desde que o efeito da dieta pode ser
dramático numa escala de curto prazo. Por exemplo, comer certos
alimentos, combinações ou quantias podem lhe fazer parecer mais
cheio e maior ou podem fazer parecer pior dentro de horas.
DY: E se sua gordura corporal ficar muito baixa, é muito mais
fácil queimar tecido muscular, e foi isso que eu decidi evitar.
BDJ: Quanto aos
negócios! Você oferece livros e um vídeo, bem como uma linha de
suplemento e serviços de personal training.
DY: Sim. Eu tenho meu próprio website,
www.dorianyates.net que tem informação sobre consultas
telefônicas e programas personalizados bem como recursos
didáticos. Minha linha de suplemento, Dorian Yates Approved,
está indo muito bem na Inglaterra e Europa. Nós começamos
recentemente nos Estados Unidos. A linha de suplemento está
centrada ao redor de proteína e um MRP. O começo disso foi
através de um amigo na Inglaterra envolvido na indústria de
suplementos. Ele teve a idéia de começarmos juntos uma linha de
produtos. Ficou definido em acordo desde o começo que se eu me
envolvesse, eu poderia opinar sobre os padrões do produto, os
materiais, pesquisa e desenvolvimento. A proteína e o substituto
de refeição são sem igual e são os mais efetivos no mercado,
pois eles contêm whey protein não desnaturada, diferente de
algumas marcas que usam subprodutos da fabricação de queijo.
Nossas proteínas não desnaturadas retiveram os importantes
fatores de crescimento que são necessários para construção de
tecido magro. Nossos produtos também contêm probiotics que tem
um efeito no sistema intestinal e saúde em geral. Aqueles que os
estão usando estão aderindo a eles porque eles estão obtendo
resultados. Nós aplicamos um ano em pesquisa e desenvolvimento
em nossa proteína e produtos de MRP. Seus leitores podem visitar
nosso website de suplemento em www.propeptide.com.
BDJ: Você pode dar
uma avaliação do seu treinamento quando você começou no
bodybuilding, em comparação aos seus anos de Mr. Olympia e seu
protocolo atual?
DY: Quando eu comecei a treinar, eu me baseava no mais
convencional (rotinas publicadas em revistas), mas rapidamente
percebi que isso não estava funcionando muito bem e que eu
estava em overtraining. A tendência de todo mundo no ginásio era
a de seguir o que todo mundo estava fazendo, ou o que os atletas
famosos estavam fazendo e o que as revistas estavam
recomendando. Combinando com a literatura de Jones e Mentzer, eu
inventei minha própria rotina. Do que eu recordo, minha primeira
rotina de alta intensidade era uma divisão em dois treinos,
enquanto treinava três dias por semana. Por exemplo, na semana 1
eu executava tronco/braços, pernas, tronco/braços. Não era
exatamente isso, mas lhe dará uma idéia. Na semana seguinte eu
executava pernas, tronco/braços, pernas. Eu alternava deste
modo, enquanto treinava cada grupo muscular duas vezes cada duas
semanas e uma só vez nas outras semanas. De um modo geral, eu
treinava o corpo todo duas vezes cada nove dias. Isso funcionou
bem para mim. Na época em que eu conquistei meu primeiro Mr.
Olympia, eu estava fazendo uma divisão em quatro partes... dois
dias de treino, um de descanso, dois de treino, um de descanso,
etc. Eu descobri que conforme eu ficava maior e mais forte, eu
não podia trabalhar metade do meu corpo em uma sessão e poderia
ter que dividir o treinamento mais ainda. Aqui, novamente, nós
estamos divergindo do que Arthur Jones estava recomendando, e
para um grau menor até do que Mike Mentzer dizia, fazendo o
corpo inteiro ou metade do corpo em um treinamento. Embora eu
não estivesse fazendo um volume tremendo, ainda era muito estar
fazendo vários grupos musculares imediatamente. Eu acredito que
você requer uma certa quantia de volume, em termos de exercícios
diferentes. Eu não penso que você possa entrar no ginásio e
possa treinar adequadamente seu peito ou costas usando só um
exercício.
BDJ: Esse é um ponto
interessante. O que eu tenho notado entre muitos dos seguidores
de HIT, é que eles vão ao extremo de uma rotina de consolidação,
i.e., agachamento, deadlifts, supinos, mergulhos, pulldowns.
Comigo, eu aumentei tremendamente a força executando muito
poucos exercícios básicos, mas minha aparência piorava
progressivamente.
DY: Algumas pessoas dizem que quando um músculo incendiar,
incendeia... e que a necessidade para treinar em ângulos
diferentes é irracional. Mas isto não faz sentido completo.
Todos nós sabemos que quando você executa certos exercícios,
você pode ver os resultados... Uma mudança física. É aparente
que se você executasse só desenvolvimento frontal,
desenvolvimento por trás, elevação lateral, laterais curvado,
laterais na polia baixa, etc., todos em ângulos diferentes, a
aparência dos ombros mudaria em cada situação. Igualmente, se
você executa apenas supino declinado ou supino reto, você
enfatiza a porção mais baixa dos peitorais, mas não muito a
porção superior. Deveria então ficar claro que exercícios
diferentes e ângulos diferentes afetam um músculo de maneira
diferente e afeta a aparência do seu físico. Assim, você deveria
treinar com uma variedade de exercícios, e em ângulos
diferentes.
BDJ: Sim, e isto
pode ser feito em uma base rotacional. Você não tem que executar
todos os exercícios em um único treinamento. Eu também acho que
uma pessoa requer bastante variedade, em termos de volume de
séries. Por exemplo, se alguém vai participar de uma competição
de transformação física em 12 semanas, você não consegue fazer
mudanças dramáticas simplesmente executando um punhado de
exercícios uma vez cada 7-9 dias, “ a la ” treinamento de
consolidação.
DY: Não, você não consegue. Você não consegue alcançar um físico
por inteiro. Você aumentará sua força e conseguirá um
desenvolvimento básico, mas você não conseguirá um
desenvolvimento completo de todos os grupos musculares. Isto
simplesmente não é possível. Você não consegue desenvolver a
largura e a espessura de seus dorsais, rombóides, trapézio, e
lombares com apenas um exercício.
BDJ: Até mesmo a
respeito do condicionamento metabólico e redução dos depósitos
de gordura, deve haver volume o bastante. Casey Viator fez um
comentário no Protocolo de Exercício do Verão 2000 que ele
freqüentemente chegava ao overtraining até o momento da
competição. Ele tinha que fazer isso para alcançar a condição
que ele queria alcançar o que era diferente do treinamento de
construção de massa na pré-temporada.
DY: Eu não concordo com isso. Obviamente se você faz mais
atividades você vai queimar mais calorias. Construir músculos é
exatamente isso, e manter músculos é basicamente a mesma coisa.
A idéia é reduzir a gordura corporal tendo um equilíbrio
calórico negativo e aumentando a quantidade de queima de
calorias. Eu não acredito que aumentar o volume de treinamento
com pesos seja um modo eficiente de fazer isto. Funcionará, mas
eu prefiro uma abordagem aeróbia, sendo estes, queimadores de
gordura mais específicos.
BDJ: Como você
aplica seu treinamento aeróbio na preparação para uma
competição.
DY: O treinamento com pesos que eu fazia na pré temporada e na
temporada eram quase a mesma coisa. Assim, para queimar gordura,
além da redução calórica, eu executava aeróbios por até uma hora
por dia. Eu fazia meia hora pela manhã e meia hora à noite, ou
conforme precisava. Não era nenhum trabalho aeróbio de alta
intensidade, mas baixo em intensidade, assim eu usava
principalmente gordura como energia. Você pode perder gordura
aumentando exercícios e séries, mas você corre o risco de ficar
mais catabólico e perder tecido muscular. Isto torna mais
difícil recuperar-se de um volume de treinamento mais alto do
que de um volume normal.
BDJ: Como é hoje o
seu treinamento? Eu acredito que você ainda treina?
DY: Sim, eu ainda estou realizando praticamente a mesma
programação. A intensidade é um pouco mais baixa, principalmente
devido a minha lesão no tríceps. Eu tenho que ter muito
cuidadoso porque existe um desequilíbrio entre meu lado esquerdo
e meu lado de direito. Em conseqüência, eu tento usar mais
máquinas, especialmente para minha porção superior do corpo. Há
outra vantagem no treinamento com máquinas... Isso te permite
treinar ao redor de lesões sem a preocupação quanto a
coordenação e o equilíbrio.
BDJ: Sérgio Oliva
apresenta artrites bastante sérias ao longo de seu corpo
inteiro, enfatizando sua necessidade para treinar principalmente
com máquinas. Ele descobriu que treinar com pesos livres, e todo
o equilíbrio necessário ao treinamento com pesos livres, é algo
que agrava muito as dores nas articulações.
DY: Em um mundo ideal, e se eu não tivesse nenhuma lesão, eu
usaria mais pesos livres. Eu não gostaria de treinar
exclusivamente com máquinas, mas este não é exatamente o lugar
onde eu estou agora. Assim, eu simplesmente faço o que eu posso
fazer e o que eu tenho de fazer.
BDJ: Me parece que
não há nenhuma chance de você sair da aposentadoria que você
teve das competições?
DY: Eu tomei a decisão de me aposentar, principalmente por causa
da lesão e porque eu tenho competido por muito tempo. A única
coisa que eu queria conseguir era melhorar o meu físico. Mas com
a lesão e com toda a reabilitação que eu realizei, eu sabia que
isso não ia ser possível. E eu definitivamente não queria voltar
e ser qualquer coisa menos do que meu máximo.
BDJ: Exatamente.
Relativo à dieta, parece que última semana antes da competição
era muito crucial. Fisiculturistas tornam-se mentalmente
estressados, pois acreditam que eles parecem muito piores do que
eles na verdade são.
DY: Isso definitivamente é verdade. Você pode olhar no espelho
um minuto e pode pensar que você parece ótimo. Então dez minutos
depois você não está tão seguro. Obviamente as coisas não
mudaram, mas sua mente pode pregar peças em você. Muitas pessoas
tendem a fazer coisas malucas na última semana porque eles estão
naquele estado mental. Eles fazem tudo com consistência,
enquanto parecem melhor e melhor, então durante a última semana
ou poucos dias antes eles fazem algo que estraga tudo
completamente. Embora você tenha que ser flexível, você precisa
de um plano e deve e aderir a isso.
BDJ: Você se
preocupava com depleção e carga de carboidratos ou alterava sua
ingestão de água?
DY: Eu sempre trabalhei com meus carboidratos e isso funcionava
muito bem para mim. Não funciona para alguns, e talvez físicos
diferentes respondam de modo diferente à ingesta de macro
nutrientes. Eu refinei isto durante os anos para saber
exatamente o que estava funcionando, o que não estava
funcionando e por que. Não havia muito acerto e erro, embora às
vezes quando eu olho para trás, vejo que eu poderia ter
aumentado um pouco aqui ou lá para estar numa condição
ligeiramente melhor. Eu sempre mantive registros, enquanto
monitorava tudo o que eu fazia, fazendo correções até a última
semana antes da competição. Eu examinaria meus registros e então
compararia a informação para conforme eu parecia e então fazia
ajustes.
BDJ: Com a nutrição
em geral, qual era sua relação entre proteína, gordura e
carboidratos?
DY: Minha primeira preocupação era me certificar de que eu tinha
proteína o suficiente em intervalos regulares ao longo do dia.
Eu calculava uma média de 3 gramas por Kg de peso corporal. E
então era uma questão de equilibrar o resto das calorias das
quais eu precisava entre gorduras e carboidratos. Eu não estou
seguro das porcentagens exatas, mas era provavelmente ao redor
30-40% proteína, 50% carboidrato e 15-20% gordura. Variava, mas
eu via as gorduras e carboidratos como alimentos energéticos, e
claro, há também a necessidade de ácidos graxos essenciais para
o sistema nervoso, etc.
BDJ: Parece haver
uma tendência para uma ingestão muito alta de proteína e gordura
e muito baixa de carboidratos.
DY: Novamente, isso pode variar com o metabolismo de cada
pessoa, e como eles respondem à insulina produzida pelos
carboidratos. Mas, para mim, minha dieta era bastante alta em
carboidrato. Quando era baixa em carboidrato, eu perdia tamanho,
meu físico ficava plano, e eu perdia energia muito depressa.
BDJ: Eu também
observei todos esses efeitos. Uma vez eu fiz um regime muito
alto em proteína durante vários meses e meu corpo nunca se
ajustou a isto. Eventualmente eu tive que aumentar a ingesta de
carboidratos ao redor dos 40-50%.
DY: Para mim, até mesmo a depleção de carboidratos significava
algo ao redor de 200 gramas de carboidratos por dia. Isso era
baixo para mim, e ficava bem difícil depois de 2 ou 3 dias
nisso. Mas para outros isto seria considerado moderado.
BDJ: O que eu notei
a respeito da sua dieta, é que você não levava a depleção de
carboidratos ao extremo. Ao invés, você realizava uma redução
até “certo ponto”, o que era o suficiente para produzir um
déficit.
DY: A regra geral era diminuir meus carboidratos até 50%. Eu
calculava a média entre 400-450 gramas por dia, sendo em alguns
dias um pouco mais alto ou mais baixo que outros. Quando eu
diminuí meus carboidratos para 200 gramas durante
aproximadamente três dias, eu aumentava ligeiramente o volume de
treinamento para apressar a depleção de glicogênio. Eu também
tinha cuidado em aumentar a ingesta de proteínas e gorduras,
assim o nível global de calorias era o mesmo. Algumas pessoas
não apenas reduzem demais os carboidratos, enquanto ficam com
pouca energia, mas eles não substituem essas calorias perdidas e
começam a queimar tecido muscular. Então, antes da competição eu
elevo meus carboidratos para aproximadamente 1000 gramas por
dia. Durante a pré temporada era ao redor 700 a 800 gramas de
carboidratos por dia, assim o leve aumento acima do normal fazia
uma diferença adicional.
BDJ: Sua ingesta
calórica fica calculada ao redor de 5000 a 6000 calorias por
dia.
DY: Isso ficava ao redor 5500-6000... Sim. Disso, minha proteína
ficava ao redor de 400 a 450 gramas por dia.
BDJ: Você está
trabalhando atualmente com o Ernie Taylor. Como está o andamento
disso e como ele treina?
DY: Vai bem. O treinamento dele é bastante breve,
particularmente quando comparado ao dos outros profissionais. Eu
penso que quando eu ganhei o Olympia em 1993, e o tipo de
treinamentos que eu estava fazendo, recebeu publicidade, e
produziu um impacto no esporte. Eu não estou dizendo que todo
mundo começou a treinar do modo que eu fazia, mas o volume e a
freqüência de treinamento entre os profissionais reduziu-se
bastante de dez anos atrás até hoje. Quase todo mundo estava
fazendo 3 dias treina 1 descansa, 3 dias treina 1 descansa, etc.
Eles treinavam cada parte do corpo duas vezes por semana. Agora,
a maioria dos sujeitos está treinando cada parte do corpo uma
vez cada 5 ou 6 dias, com volume reduzido.
BDJ: Exceto o Lee
Priest, que declara estar treinando até 30 séries por grupo
muscular.
DY: Sim... Mas ele conseguiu um ótimo físico.
BDJ: Ele também é
jovem. Eu tinha muita energia quando eu tinha a idade dele, e
fazia uns treinamentos bastante selvagens. Eu olho atrás nesses
dias e não sei como eu fazia aquilo.
DY: Sim... Eu olho atrás, e eu costumava treinar peito, costas e
ombros em um treinamento e provavelmente com mais volume que eu
faço agora. Mas ainda assim produzia resultados.
BDJ: O que você
mudaria sobre o esporte do bodybuilding?
DY: Educação. As pessoas realmente não entendem o que importa na
criação de um grande físico. Se você assiste um esporte igual ao
basquetebol, nele você pode ver e pode apreciar a habilidade do
atleta. Com as competições de bodybuilding você vê apenas o
produto final. Se você estiver nisso, você pode apreciar o
físico, mas às pessoas comuns isso parece algo estranho e
extremo. Eles não sabem da dedicação ou do trabalho duro... Ou
do conhecimento sobre nutrição. Eles deveriam combinar a
cobertura da televisão com um documentário verdadeiro das
pessoas treinando e o que elas fazem para se preparar. Quando eu
estava competindo no Olympia, eu recebia alguns convites para
apresentação na televisão, e isso sempre foi o que eu quis
fazer... Falar e discutir sobre o que está envolvido no esporte.
E quando as pessoas estivessem educadas sobre o processo, elas
apreciariam e olhariam de modo diferente para isso. Mas minha
experiência com o pessoal da TELEVISÃO é que eles não estavam
interessados nisso... Sentar-se e falar sobre isso. Eles me
queriam no estúdio para posar, e então fazer algumas perguntas.
Eu não queria ir para isso. Eu dizia "... se você estivesse
recebendo outro atleta, um corredor, por exemplo, você não o
faria correr ao redor do estúdio... ou fazer um jogador de
basquetebol jogar o basquetebol. Ao invés, você se sentaria com
a pessoa e conversaria com ele. E isso é o que eu estou
preparado para fazer". Isso não os interessava. Mas trazer um
fisiculturista em calção de banho para posar... É algo torna
aquela pessoa um objeto e um espetáculo.
BDJ: Você acredita
que você obteve de fato, em seu país, a notoriedade que você
merece?
DY: Definitivamente não, não na Inglaterra. Eu sou mais
reconhecido nos Estados Unidos.
BDJ: Isso é devido
ao bodybuilding não ser muito popular na Grã Bretanha?
DY: Não é realmente popular. Isso tem obtido uma boa audiência
hardcore e há vários fisiculturistas decentes na Inglaterra,
como você provavelmente sabe. Mas é uma comunidade muito
pequena... Uma coisa underground. Não é algo que chega até o
público em geral... Diferente dos Estados Unidos. Lá, eu acho
que eu sou mais amplamente reconhecido entre um grande e variado
número de pessoas... pessoas que não são necessariamente
fisiculturistas, mas que vão para os ginásios... que estão em
forma, se interessam por saúde e nutrição e que apreciam muito
mais o bodybuilding. Nos Estados Unidos eu agrado pessoas de
todos os estilos de vida, e que me reconhecem.
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O
Renascimento de HIT - Uma Entrevista com o Dr. Ellington Darden
O Renascimento de
HIT
Uma Entrevista com o Dr. Ellington Darden
por Chris Shugart
Naquele dia, a
audiência na Duke University estava ficando inquieta. Afinal,
eles estavam sendo insultados. O orador tinha iniciado o
seminário com uma conferência sobre a ignorância e a estupidez,
insinuando não tão sutilmente que aqueles que não aceitassem as
idéias dele eram os de quem ele falava. Ele ridicularizou a
audiência, ignorou os intervalos para o coffe break, ameaçou
"chicotear a bunda" de um estudante que ousou questioná-lo.
Afinal de contas, este era um homem que uma vez empurrou um
jovem Arnold Schwarzenegger para fora de um carro e lhe disse
que fechasse a matraca. Ele certamente não faria nenhuma piada a
partir da crítica de algum universitário magrinho.
O ano era 1975. O orador era Arthur Jones, inventor e fundador
da Nautilus, e o pai do treinamento de alta-intensidade. Por
todas as contas, Jones era um gênio em muitos níveis, mas
ninguém jamais o considerou um "sujeito popular".
Finalmente, Jones "rapou o pé" para fora do palco, e um dos seus
assistentes foi chamado para salvar o dia e explicar este novo
conceito de treinamento… sem chutar a bunda de ninguém. O
assistente de Jones era um jovem Ph.D. que vencera o título de
Mr. Texas e o Mr. América Universitário, dois anos antes.
Nervoso, mas competente, ele deu o recado. Durante a
apresentação improvisada, o rapaz recorreu ao treinamento de
alta intensidade usando o acrônimo HIT. A abreviação pegou, e o
Dr. Ellington Darden assumiu seu lugar na história do
bodybuilding.
Isso foi há praticamente 30 anos atrás, e hoje, Ell Darden ainda
é a voz moderna de HIT. Ele escreveu mais de uma dúzia de livros
sobre o assunto, mas sem focalizar o mercado do bodybuilding
hardcore desde 1993. Desapontado com o estado do moderno
treinamento do bodybuilding, ele decidiu reavivar e atualizar
HIT, o método de treinamento revolucionário e controverso que
uma vez mudou a face da musculação.
A ressurreição de HIT começou com a publicação do seu novo
livro, The New High-Intensity Training. O T-Nation decidiu
sentar-se com o Dr. Darden para discutir o livro e o que é
conhecido como "The New HIT".
· Pergunta: Parece
haver muita confusão a respeito de HIT. Você pode resumir isto
para nós?
· Dr. Ellington Darden: O Treinamento de Alta Intensidade, em
resumo, é obter resultados máximos em tempo mínimo. Eu credito
esta definição a Arthur Jones, o inventor dos equipamentos de
exercício Nautilus. Jones, que levava a vida em um ritmo veloz,
tinha pouco tempo a desperdiçar com exercícios - a menos que
isso lhe proporcionasse resultados eficientes.
· Pergunta: Qual é a
diferença entre HIT, e o Heavy Duty do Mike Mentzer, e o New
HIT?
· Darden: Deixe-me colocar as coisas do seguinte modo, as
rotinas HIT da década de 1970 eram muito longas, as rotinas
Heavy Duty, do Mentzer eram muito curtas, e as rotinas New HIT,
são corretas!
Inicialmente, Jones recomendava tanto quanto 16 exercícios, cada
um executado para uma série até o fracasso, três vezes por
semana. Isto eventualmente provou ser no geral, muito exercício.
Mentzer foi ao outro extremo: rotinas consolidadas, algumas das
quais exigiam apenas 3 ou 4 exercícios até o fracasso, uma vez a
cada 10 a 12 dias. Isto era muito pouco para resultados máximos,
pelo menos para o praticante comum.
Minhas rotinas New HIT aplicam entre 7 a 12 exercícios por
sessão, uma série até o fracasso, duas vezes por semana.
· Pergunta: Gotcha.
Um dos alicerces de HIT é o trabalho absolutamente árduo e de
intensidade, mas como isso é definido? É Ir ao fracasso? É
contrair com dureza? É a perercepção do esforço? É fazer cara de
guerreiro?
· Darden: Ir até a " falha muscular momentânea " é a diretriz,
mas você tem que aprender corretamente a alcançar a falha. Sob
as melhores condições, este processo requer aproximadamente duas
semanas pegando leve e daí gradualmente entender e aplicar
esforço intenso e total em cada exercício.
Nos primeiros dias na sede de Nautilus na Flórida, Jones tinha
pouca paciência com a maioria dos praticantes. Ele sempre
preferia " detonar " com eles logo na chegada. Como resultado,
eles tinham um treinamento infernal - se eles conseguissem
prosseguir através da rotina. Mesmo quando eles não conseguiam,
ainda assim eles sofriam um enorme choque orgânico que eles não
tinham experimentado anteriormente.
De qualquer modo, a maioria dos sujeitos partia com a impressão,
" UAU, esse treinamento Nautilus/HIT é bem diferente do meu
treinamento anterior ".
· Pergunta: HIT
também é conhecido por enfatizar boa técnica, coisa do tipo:
"treine até o fracasso mas use boa técnica". Porém, em seu livro
você descreve uma série de rosca direta HIT com técnica " livre
" e roubando na última repetição. Eu estou confuso.
· Darden: Boa técnica envolve a aplicação de muitos pontos
interessantes a respeito da performance de cada exercício.
Novamente, isto requer técnicas pedagógicas apropriadas e tempo.
Jones percebeu sobre a maioria dos fisiculturistas, que se eles
soubessem de pelo menos alguma coisa, eles sabiam da diferença
entre repetições estritas e repetições roubadas na rosca direta.
Assim, ele freqüentemente usava a rosca direta para demonstrar o
ponto de vista dele sobre o " trabalho árduo pra valer ". Nos
anos setenta eu o vi fazer muitos fisiculturistas ficarem
nauseados, devido uma única série de roscas, enquanto progrediam
de uma técnica muito rígida para uma mais livre, mas sempre indo
até o fracasso.
É por isso que eu começo o Capítulo 1 com esta descrição
dinâmica da rosca direta ao estilo Arthur Jones. Depois, eu
mostro o porque é que as repetições roubadas devem ser
incorporadas responsavelmente. Você só deveria usá-las
ocasionalmente, e só de uma maneira controlada.
· Pergunta: A
maioria do programas de treinamento HIT envolvem treinamentos de
corpo inteiro. Por que é que os treinamentos de corpo inteiro
são a pedra fundamental do HIT?
· Darden: Quando eu me interessei pelo bodybuilding em 1959, a
maioria dos vencedores do Mr. América nas revistas de musculação
usavam rotinas de corpo inteiro. Homens como John Grimek, Allan
Stephan, Steve Reeves, Jack Delinger, Steve Klisanin e Ron Lacy.
Todos eles praticavam treinamentos de corpo inteiro, e cada um,
do próprio modo, influenciaram a Jones, bem como a mim também.
Eu me lembro de ler e aplicar as rotinas de Red Lerrille, Mr.
América 1960, em uma série de artigos que ele escreveu para a
revista Strength & Health, depois que ele ganhou a competição.
Então, eu recordo de encontrá-lo pessoalmente em 1963. Ao longo
da conversa ele enfatizava os treinamentos de corpo inteiro,
realizados três vezes por semana. Meus melhores ganhos sempre
eram realizados com treinamentos de corpo inteiro.
Mas voltando à pergunta sobre se treinar o corpo inteiro ser
mais eficiente que qualquer tipo de rotina dividida. Por que?
Porque reduz a probabilidade de overtraining. Como resultado do
efeito indireto, você não pode trabalhar seus membros inferiores
sem envolver seus membros superiores e vice-versa. Isto
simplesmente também faz sentido fisiologicamente, trabalhar o
sistema muscular como um todo, brevemente e também descansar
isto como um todo.
Ou, como Jones freqüentemente dizia, "rotinas divididas fazem
tanto sentido quanto dormir com um olho aberto".
· Pergunta: Ele levava muito jeito com as palavras. A capa do
seu novo livro, The New High Intensity Training, contém a
seguinte frase " Ganhe 8 kg de músculo em apenas duas semanas ".
Isto é realmente possível?
· Darden: Ei, espere um minuto. Re-leia esta frase. Isso diz: "
Ganhe até 8 kg em duas semanas," e não: "Ganhe 8 kilos em duas
semanas ". eu tive três alunos que ganharam entre 4,5 kg e 5,2
kg de músculo em duas semanas. Um deles, David Hudlow, a quem eu
apresento no livro, na verdade ganhou 8,4 kg de músculo em duas
semanas.
Assim, sim, é possível, mas não provável, a menos que você tenha
um grande potencial genético, e a determinação para treinar de
uma maneira muito disciplinada.
Além disso, eu mostro fotografias antes-e-depois do Casey Viator,
durante o Experimento Colorado, de Jones, que GANHOU 18 KG de
músculo em duas semanas. Isto deve ser um recorde mundial para
ganho de músculos naquele curto período de tempo.
· Pergunta: Deixe-me
bancar o advogado do diabo. Isso é " memória muscular ", é "
retenção hídrica ", é " ganho de gordura " é… em resumo, é
músculo real ? Esses seriam aqueles que vêem tais ganhos em
qualquer situação especial, tal como vindos junto com um retorno
aos treinos após curar-se de lesões, ou com o uso de esteróides?
· Darden: Eu estou seguro de que o ganho de David Hudlow, de 8,4
kg em duas semanas, era principalmente muscular. Suas fotos e
medidas de antes-e-depois e taxa metabólica em repouso são
consistentes com um aumento significativo na massa muscular.
Examine cuidadosamente suas fotografias nas páginas 202 e 203 do
meu livro sobre HIT e você verá sobre o que eu estou falando.
Além disso, as fotos não foram retocadas de modo algum.
Deixe-me coloca-lo em ciência de que eu declaro que o
procedimento sem igual de carga creatina usado por Hudlow
provavelmente foi responsável por 25 a 30 por cento do ganho. No
geral, em seis meses de HIT, Hudlow construiu 17,5 kg de massa
corporal magra.
· Pergunta: Isso é
incrível. E o que seria este procedimento sem igual de carga de
creatina?
· Darden: David Hudlow e eu, juntamente com Tim Patterson,
projetamos uma fórmula para misturar monoidrato de creatina e
açucar em um galão de água gelada. Então, Hudlow consumiu a
solução de acordo com nossas diretrizes de 11 passos, que está
detalhada no capítulo 26. Eu acredito que este é o melhor
sistema de carga de creatina para seus músculos. Certamente
funcionou bem para Hudlow. Combinado com HIT, isso lhe ajudou a
somar 8,4 kg de massa corporal magra em duas semanas.
· Pergunta: Você
mencionou o infame Experimento Colorado, com Casey Viator. O que
aconteceu lá?
· Darden: Aproximadamente 18 meses depois que Viator ganhou a
competição de Mr. América 1971, um sério acidente em uma máquina
de triturar limalha de ferro fez Viator perder a maior parte do
dedo mínimo da sua mão direita. Vários dias depois, ele quase
morreu de uma reação alérgica a uma injeção de antitetânica. Ele
adoeceu e esteve deprimido nos três meses e meio que seguiram a
esse fato e não treinou nada. Ele tinha pouco apetite. Os
músculos dele atrofiaram, e ele perdeu mais de 15 kg, com a
perda de 8,4 kg atribuídas diretamente apenas à injeção quase
que fatal.
Jones tinha planejado fazer um grande estudo sobre o treinamento
apenas-negativo para uma importante universidade, em 1973. Mas
quando Viator machucou-se, ele ao invés decidiu fazer um estudo
de caso com Viator e suas novas máquinas Nautilus na
Universidade Estadual do Colorado, em Forte Collins. Ele
transportou com um caminhão, suas mais recentes máquinas
Nautilus até Forte Collins e as instalou no laboratório de
fisiologia do exercício do Dr. Elliott Plese. Então ele e Viator
voaram até lá e começaram o treinamento no dia 1 de maio de
1973, com o estudo sendo concluído no dia 29 de maio.
Jones treinou Viator pessoalmente com uma série até o fracasso
em 12 exercícios ou menos, repetindo as sessões progressivamente
em dias alternados durante quatro semanas. Mais da metade do
total de séries que Viator executou foram feitas de um modo
apenas-negativo, onde a resistência foi apenas abaixada, ou de
um modo negativo-acentuado onde a resistência era elevada com
ambos os membros, e então abaixada só com um dos membros. Os
resultados estavam verdadeiramente surpreendendo.
O peso de corporal de Viator aumentou de 74,991 kg para 95,467
kg, para um ganho geral de 20, 476 kg. A análise de composição
corporal revelou que Viator tinha de fato construído 28,444 kg
de músculo, uma vez que ele tinha perdido 8,068 kg de gordura.
Jones sempre foi cuidadoso em declarar que Viator estava
reconstruindo um nível previamente existente de tamanho
muscular, mas mesmo assim, tal taxa de aumento não era nada
menos que notável.
· Questão: eu sei
que Arthur Jones realmente era oposto ao uso de esteróides, mas
não seria possível que Viator estivesse escondendo algo dos
olhos de Jones? Eu quero dizer, Arthur estava em uma posição
onde ele realmente iria, realmente queria acreditar no que ele
estava vendo.
· Darden: É evidente que você não conhece Arthur Jones. Esconder
algo dos olhos de Jones teria sido um feito raro, realmente. Se
Jones até mesmo suspeitasse que Viator estava sob esteróides,
ele o teria transportado direto para um PÂNTANO da Louisiana,
antes do fim do dia.
· Pergunta: Você tem
escrito sobre como e quando Arthur treinava Viator, ele crescia
como uma erva daninha, mas quando Viator treinava por sí mesmo
ele perdia músculo. Por que exatamente?
· Darden: Porque vasta a maioria das pessoas que têm o melhor
potencial genético para construir músculos não consegue
treinar-se a sí mesmos com eficiência. Por que? Porque eles
nunca precisaram disso anteriormente.
Até mesmo se estas pessoas nunca tivessem treinado, eles ainda
seriam significativamente maiores e mais fortes que um homem
comum. Com apenas um pouco de treinamento (mesmo que incorreto),
os corpos deles respondem muito melhor do que a média.
Viator já tinha um puta físico antes que ele conhecesse Arthur
Jones, mas ele ficou com um corpo absolutamente excepcional
depois que Jones o treinou em um estilo HIT, de tempos em tempos
durante 10 meses em 1970 e 1971. Durante aquele período de 10
meses, Viator ganhou o Mr. América Juvenil, o Mr. USA, o Mr.
América Jr., e o título principal do Mr. América.
Com Jones o treinando, o peso corporal de Viator aumentava até
98,1 kg de músculo rígido como pedra, com quase nada de gordura
corporal mensurável. Quando Viator treinava por sí próprio, ele
gradualmente perdia músculos e ganhava gordura. Como resultado o
seu peso corporal caia para aproximadamente 90 kg. Eu treinei
Viator na fábrica da Nautilus em Lake Helen, Flórida, durante
dez anos e tipicamente este era o caso.
Os treinamentos de Jones eram brutalmente duros. Ele sempre
colocaria entre 11 e 22 kg a mais de carga nas máquinas do que
Viator usaria por si próprio. Mas observando, você não podia
evitar em ficar impressionado com Viator, porque ele atendia com
ímpeto aos treinamentos de Jones. E ele nunca reclamou. Eu
duvido que naquele momento houvesse outro homem no mundo todo
que pudesse ter realizado o que Viator fez.
· Pergunta: HIT
original focalizava muito em máquinas, e ninguém se espanta
disso estar associado com a Nautilus. E quanto ao New HIT?
· Darden: Inicialmente, eu acredito que Jones pensava que as
máquinas Nautilus eliminariam muito do típico roubo que você vê
no treinamento com barras e halteres. Mas ele estava errado. Às
vezes, uma máquina torna possível para você roubar mais do que
com um exercício semelhante com barras.
A despeito da ferramenta, máquinas ou pesos livres, há ainda
muitos modos para tornar o exercício mais fácil, ao invés de
mais difícil. E é por isso que ter um bom treinador ou parceiro
de treinamento é realmente útil.
O New HIT envolve todas as máquinas básicas e exercícios com
pesos livres. E faz isso de tal um modo que você pode treinar a
si mesmo. Eu sou totalmente a favor de se associar com um bom
parceiro de treinamento, mas há muitos momentos em que isso não
é possível. O New HIT mostra a você como fazer por si mesmo pela
aplicação de diretrizes importantes, dicas e motivações.
· Pergunta: Ninguém
realmente conhecia a palavra " overtraining " até que Arthur
Jones começou a publicar artigos na Ironman no início dos anos
70. Hoje nós temos treinadores de força que pensam que todo o
mundo está em overtraining, e treinadores de força que pensam
não existe esta história de overtraining. Como você responde a
isso?
· Darden: Hoje não é nada diferente do que era no início da
década de 1970. Poucas equipes esportivas em nível estudantil,
em escolas, universidades, ou até mesmo profissionais está
obtendo o máximo de seus treinamentos de força. A maioria destes
atletas e times é bom, ruim ou mais-ou-menos, apesar do modo
como eles treinam para força, e não por causa disto. Como
resultado, você até pode excluir o treinamento de força como
componente de sua preparação física. As equipes com os melhores
atletas e os melhores técnicos ainda são as que vencem.
Na minha opinião, a maioria das equipes esportivas está em
overtraining, e não apenas um pouco, mas muito.
· Pergunta: Parece
que tem havido muita ênfase em " força funcional " e desempenho,
no mundo do treinamento com pesos, até mesmo para esses que não
competem em esportes. Eu penso que isto pode ser porque muitas
das pessoas que escrevem artigos e publicam livros nos dias de
hoje trabalham com atletas, e não com fisiculturistas. Será que
o fisiculturismo para propósitos cosméticos está perdido? Será
que HIT pode satisfazer esses com a mentalidade " funcional "?
· Darden: Eu penso que você tem razão, o bodybuilding esteve
perdido com toda a ênfase posta na força funcional, que insinua
que o fisiculturismo para propósitos cosméticos não é de nenhum
valor. Parecer melhor fisicamente, mais que qualquer único
fator, é a razão principal das pessoas se exercitarem. Eu sou
totalmente voltado para o fisiculturismo e por causa do
fisiculturismo somente.
Mas voltando ao assunto da força funcional. A maioria dos
atletas e treinadores perdeu completamente a noção quando tem a
ver com força funcional ou força específica a um esporte. Eu
percebi isto em 1969 na Universidade Estadual da Flórida quando
eu estudei aprendizado motor, sob a supervisão do Dr. Robert N.
Singer. A idéia como um todo centra-se em transferência de
habilidades. Aquilo que você faz na prática tem que ser
transferido eficientemente a um jogo, ou então não deveria ser
incluído, certo?
Há três tipos de transferência: positiva, negativa e
indiferente. Transferência positiva acontece quando as
atividades de treinamento e de competição forem idênticas.
Transferência negativa acontece quando as atividades de
treinamento forem quase iguais a essas da competição.
Transferência indiferente acontece quando as atividades de
treinamento forem totalmente sem conexão ao que acontece em
competição.
Transferência indiferente é onde o treinamento de força e de
fisiculturismo pertencem. Você geralmente deveria construir
tamanho muscular e força, do melhor modo possível com pouca
consideração para com seu esporte. Então, você deveria aplicar
especificamente aquela força praticando seu esporte do modo
idêntico a como você compete. Fazendo assim produz-se mais
transferência positiva e menos transferência negativa.
Mas a maioria dos atletas e treinadores tenta executar seus
treinamentos de força de certo modo que simule seus esportes, o
que significa levantamentos e abaixamentos rápidos, explosivos
que pouco se transfere aos seus esportes. Pior, pode confundir o
desempenho por transferência negativa, além de ser perigoso.
Como eu estava dizendo antes, se suas competições estiverem indo
de modo regular, então ninguém está levando vantagem e os
melhores atletas e treinadores ainda vencem.
· Pergunta: Faz
sentido. Agora, o subtítulo de seu livro é " O Melhor Sistema de
Construção de Músculos Que Você Nunca Tentou ". Eu penso que eu
sei onde isso quer chegar. Quando eu falei para as pessoas que
eu estava fazendo um artigo sobre HIT, eu fui de encontro a
muita resistência contrária; isso até mesmo fez algumas pessoas
acharem uma ousadia que eu expusesse o assunto. Embora tais
pessoas admitam que eles nunca leram quaisquer dos livros sobre
HIT e nunca tiveram realmente tentado este método de
treinamento. O que você diria a respeito disso aqui?
· Darden: Não cometa nenhum erro, Arthur Jones era um indivíduo
brilhante e criativo. Mas tão inteligente quanto ele fosse, ele
era um líder relutante. Ele hesitou repetidamente sobre
envolver-se na fabricação de máquinas de exercício, e nunca quis
abrir franquias de Nautilus Fitness Centers, embora, certa vez
haviam cerca de 2,000 clubes Nautilus nos E.U.A., que usavam o
nome da empresa. Além disso, a duras penas era foi capaz tolerar
a estupidez reinante entre os atletas e treinadores no campo do
treinamento de força/fisiculturismo.
Sim, Jones influenciou muitos fisiculturistas, técnicos e
proprietários de fitness centers. Mas ele também os ignorou,
provavelmente a maioria deles. Jones sempre invocou sentimentos
fortes contra ambos, contra HIT e contra suas máquinas Nautilus.
Enquanto Jones iniciou a revolução HIT nos anos 70, pela metade
dos anos 80, ele tinha perdido interesse e começou a desviar-se.
Agora, quase 20 anos depois, muitos jovens fisiculturistas
ouviram falar de HIT, mas eles nunca tentaram isto.
Eu não sou alguém com uma personalidade no estilo da de Arthur
Jones, nisso não há dúvida. Mas eu sou motivado a trazer o
treinamento de alta intensidade de volta ao cenário. HIT é um
sistema de construção de músculos muito valioso para se deixar
de lado a descansar em paz.
· Pergunta: Parece
que agora a nova " moda passageira " ou novo modo de fazer as
coisas no treinamento de força é não treinar até o fracasso, o
que é o oposto de HIT. " Treinar até o fracasso é treinar para
fracassar. Você quer fracassar ? " Este é o tipo de mentalidade.
Será que treinar até o fracasso é realmente necessário para
ganhos musculares?
· Darden: Não treinar até o fracasso não é uma moda passageira.
É o método predominante de escolha para a maioria dos
fisiculturistas. Mais é melhor tem uma capacidade de atração
muito maior do que menos é melhor.
Relativo ao conceito, " treinar até o fracasso é treinar para
fracassar, " Jones lhe diria que " a maior parte dos
conhecimentos inicia como fracassos. O sucesso meramente reforça
os mitos e as superstições ". Apenas não chame seu fracasso de
sucesso. Conheça a diferença entre os dois.
" Treinar até o fracasso, " como Jones declara, " é o fator mais
importante em estimular o tamanho e a força muscular ".
· Pergunta: E quanto
ao descanso entre as séries? Eu sei que Arthur Jones
freqüentemente prescrevia pouco a nenhum descanso e um ritmo de
treino de explodir o coração.
· Darden: Sim, Jones gostava de mover-se rapidamente entre os
exercícios. Com suas máquinas Nautilus, normalmente levava de 5
a 10 segundos para sair de uma máquina e outros 5 a 10 segundos
para acomodar-se sobre a próxima. Nós tínhamos uma diretriz de
15 a 30 segundos entre máquinas.
Depois de três máquinas, a maioria dos atletas alcançava uma
freqüência cardíaca entre 180 a 200 batimentos por minuto, e
permanecia naquela faixa na maior parte da rotina. Treinar dessa
maneira não apenas trabalha seus músculos esqueléticos, mas
também seu coração e pulmões -- ambos, ao máximo.
Em todos os meus anos na Nautilus, eu me lembro apenas de um
atleta que conseguiu passar por um treinamento inteiro de 12
exercícios, sem sentir náusea, logo na primeira vez em que ele
tentou isso com Jones o supervisionando. Este atleta era um
lutador campeão Olímpico de luta romana, Dan Gable. Gable estava
no pico de sua forma física quando ele nos visitou em 1976. Ele
nos impressionou a todos com seu nível de aptidão física.
Depois do quarto exercícios em um treinamento com Jones, a
maioria dos atletas seria incapaz de permanecer em pé. E esses
que tentavam um quinto exercício normalmente teriam que parar na
metade do caminho para vomitar. E vomitar era o ponto final.
Ninguém continuava depois disso.
Espere, deixe-me voltar atrás. O jogador profissional Dick
Butkus, middle linebacker do Chicago Bears, estava para vomitar
durante a metade do seu oitavo exercício, uma série de
encolhimento de ombros. Jones o insultou à sua moda, e Butkus
largou o peso lentamente, esfregou a boca em seu próprio
ante-braço, continuou o encolhimento de ombros com boa técnica,
e terminou seus dois últimos exercícios. Aí então, ele caminhou
em direção à porta da frente, voltou-se para Jones enquanto
mandava um par de palavras para ele mastigar, abriu a porta e
foi embora.
Gable e Butkus eram de uma raça à parte, pelo menos em atitude,
em relação a outros campeões em esportes que nós treinamos.
A náusea que a maioria dos atletas experimentou, porém, só
apareceu durante o primeiro ou segundo treinamento. O organismo
dessas pessoas rapidamente adaptava-se completamente a tais
demandas extremas. Depois de três ou quatro semanas sob tal HIT,
a maioria dos atletas estava claramente em um nível superior de
condicionamento metabólico.
Essa era a meta de Jones: levar um time de atletas a tal nível
de condicionamento que causasse temor aos adversários. Ele quase
que praticamente conseguiu isso com os Miami Dolphins em 1971,
1972, e 1973, os quais Don Shula treinou tão habilmente. Jones
era amigo íntimo de Shula e os Dolphins foram a primeira equipe
da NFL a adquirir equipamentos Nautilus.
Porém com o bodybuilding, não há nenhuma necessidade para
apressar-se entre os exercícios. Embora, ainda não haja nenhuma
razão para vacilar ou perder tempo ao redor. A maior parte do
tempo, entre 30 a 60 segundos entre os exercícios é o objetivo.
· Pergunta: Outra
tendência no treinamento de força é não prestar muita atenção à
fase negativa do movimento e ao invés, focalizar em erguer
rapidamente e com dureza na fase concêntrica. Entretanto, HIT
realmente acentua a fase excêntrica, correto? Até mesmo, em
certos dias usando apenas movimentos negativos?
· Darden: Antes de Arthur Jones entrar na cena de bodybuilding
em 1970, o exercício negativo, ou trabalho excêntrico, havia
sido chutado para fora da literatura da fisiologia durante 50
anos. Mas ninguém tinha levado isto muito a sério. Eu lia
regularmente todas as revistas de musculação entre 1959 e 1972,
e eu não me lembro nem sequer de uma única menção ao trabalho
negativo.
Então, Jones, cansado de ler anúncios de fabricantes de máquinas
de exercício que ofereciam apenas trabalho positivo, decidiu que
ele experimentaria com a parte negativa do exercício. Ele
executou muitos tipos de exercícios apenas excêntricos com
vários praticantes por mais de um ano. Eu me lembro da primeira
vez que eu vi sua linha Nautilus Omni Machines, as quais
empregavam um pedal de alavanca que transferia uma carga mais
pesada que o normal através da fase positiva, nos exercícios
para tronco e braços. Fazendo isso ficava possível realizar
pesadas repetições negativas, sem a necessidade de ajudantes.
As Nautilus Omni Machines foram usadas durante o Experimento
Colorado de Jones, que provou ser tão frutífero.
Eu penso que a maioria do pessoal da fisiologia de exercício
concordaria que a porção negativa do exercício é em muito a
responsável pelas micro-lesões nos filamentos de actina e
miosina que compõem as microscópicas miofibrilas, que é onde
principalmente se manifesta o crescimento de um músculo.
Posteriormente, estes filamentos fragilizados de actina e
miosina têm a capacidade para atrair outros elementos de
crescimento. Com repouso e nutrientes adequados, estas unidades
e elementos são reconstruídos em filamentos mais espessos, mais
fortes e com novos anexos.
Como eu mostro em meu livro sobre HIT, todo o crescimento
muscular produzido no treinamento com pesos deve ser estimulado
pela preparação em algum grau, pela semi ruptura de pelo menos
alguns dos filamentos de actina e miosina e dos tecidos que os
envolvem. Sem tais despreziveis semi-rupturas, estes elementos
não serão receptivos ao desenvolvimento.
Assim, esta leve ruptura, que produz a conhecida dor muscular, é
um resultado direto da parte negativa do exercício. O trabalho
negativo, contanto que não seja levado a extremos, é muito
benéfico e instrumental no processo de crescimento muscular.
· Pergunta: Certo,
aqui vai uma crítica comum quanto a HIT: " Funciona durante
algum tempo, entretanto você precisa trocar para qualquer outra
coisa, assim como com qualquer outro estilo de treinamento ".
Isso é verdade?
· Darden: Pessoalmente, eu tenho treinado no estilo HIT por mais
de 30 anos. Eu nunca senti que eu precisasse trocar para
qualquer outra coisa. Mas isso é comigo. Eu sempre achei que
variedade nos exercícios tem sido algo excessivamente
valorizado. Se você encontrou algo que obviamente funciona,
continue usando isso até que não funcione mais.
Se o que você quer é variedade , meu novo livro HIT contém 32
diferentes rotinas de corpo inteiro, que são descritas em
detalhes.
· Pergunta: Sua nova
abordagem ao HIT envolve treinamentos ocasionais não até o
fracasso ou NTF (not to failure). Alguns HITters mais fanáticos
lançariam maldições contra esta sugestão. Por que treinamentos
NTF?
· Darden: Originalmente, Jones hipotetizou que um praticante
necessitaria entre 48 a 96 horas entre sessões HIT para a
recuperação completa acontecer. Por um lado, treinar diariamente
nunca permitia ao corpo de um indivíduo tempo o bastante para
ficar maior e mais forte, pelo menos não de modo máximo. Por
outro lado, descansar muito mais tempo que 96 horas entre
treinamentos parecia causar atrofia dos músculos até certo
ponto.
O cronograma de treinamento já testado pelo tempo, de se treinar
às segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras servia bem
para Jones, pelo menos com praticantes iniciantes. Mas logo,
dentro de seis a doze semanas, o praticante alcançava um platô.
Tal indivíduo era agora forte o bastante fazer uma desgaste
muito mais fundo em sua capacidade recuperativa. A solução para
quebrar o platô no treinamento era mais tempo entre os
treinamentos.
No princípio nós tentamos mudar de três vezes por semana para
duas vezes por semana. Mas esta mostrou-se ser uma redução muito
severa. Mas nós resolvemos isso dirigindo nosso pensamento a
programações sobre duas semanas, em vez de períodos de uma
semana. Em vez de reduzir a freqüência, de seis vezes a cada
duas semanas para quatro vezes a cada duas semanas, nós
reduzimos de seis vezes para cinco vezes cada duas semanas. Isto
produziu ganhos em força durante algum tempo, entretanto o
treinamento novamente atingia um platô.
Assim, com o passar do tempo, nós reduzimos sistematicamente de
cinco, para quatro, para três, para dois treinamentos a cada
duas semanas, o que também ajudava. Depois de vários anos de
experimentação, porém, nós descobrimos que reduções menores na
freqüência produziam menos platôs e melhores ganhos em força.
Por tentativas múltiplas, nós descobrimos aquele treinamento NTF
preenchia aquela fenda naquela pequena redução na freqüência.
Treinamento NTF significa não chegar ao fracasso muscular
momentâneo em nenhum exercício durante certa sessão de
treinamento. Durante um exercício específico, você usa a mesma
quantia de resistência como antes, mas você simplesmente para a
série duas repetições antes de seu melhor esforço prévio. Por
exemplo, se na segunda-feira você fez 9 repetições com 110 kg no
desenvolvimento supino, então na quarta-feira, você ainda usará
110 kg, mas você pára a série depois da 7ª repetição.
Nós concluímos, que o treinamento NTF de fato facilitou a
capacidade recuperativa de alguns praticantes. Ou pelo menos,
preveniu algum pequeno grau de atrofia, particularmente para os
praticantes iniciantes e intermediários.
Com HIT'ters avançados, eu percebo que o treinamento NTF pode
não ser necessário, especialmente se eles têm obtido resultados
bons e consistentes com o esforço total. Entretanto, novamente,
pode ser que este conceito seja o que seus corpos precisem para
crescimento muscular renovado. Eles nunca saberão a menos que
eles tentem NTF com gusto!
· Pergunta: Uma das
melhores coisas sobre seus livros são as histórias e anedotas
sobre fisiculturistas de era de ouro. Você tem algo novo?
· Darden: Obrigado por mencionar minhas histórias. Há uma
interessante relacionada a uma reunião entre fisiculturista e
basistas principalmente do Texas, dos anos 1950 e 1960, aos
quais eu recepcionei na residência do Ronnie Ray, em junho de
2004, em Dallas. Você precisa acreditar que as histórias mais
espantosas circularam ao redor durante este encontro!
Um dos destaques foi a exibição de um vídeo que tinha sido
preparado por Terry Todd, da Universidade do Texas. O vídeo
continha um filme em preto-e-branco com clips dos vencedores da
competição de Mr. América da AAU do anos de 1940 a 1954. Foi um
deleite ver em ação os campeões que a maioria de nós tinha
admirado em nossos anos de adolescência. Foi ótimo poder
relembrar que haviam alguns homens muito bem construídos nas
décadas de 1940 a 1950, todos os quais, obviamente nunca usaram
drogas.
Sentado próximo a mim enquanto nós nos deliciávamos com os
clipes do filme, estava um antigo levantador de 69 anos de
idade, do Kansas. Seu nome era Wilbur Miller, e em 1964 ele fez
322 kg de levantamento terra, com um peso corporal de 110 kg,
que foi um recorde mundial naquela época. A coisa mais
surpreendente sobre Miller era que ele nunca treinou em um
ginásio comercial e nunca teve nenhum parceiro de treinamento.
Para 90 por cento de seus exercícios, ele nunca usou uma barra
Olímpica. Ele sempre treinava sozinho, depois que sua rotina
profissional diária acabava. Miller era, e ainda é, plantador de
trigo. Hoje, ele pesa uns 99 kg magros, e tem antebraços
musculosos, pulsos grossos, e um aperto de mão igual a uma
prensa. Ele me faz lembrar os personagens que John Wayne
interpretava em seus antigos filmes western.
Miller não consegue entender por que alguém interessado em
levantamento e fisiculturismo iria querer envolver-se com
drogas. " Tudo o que é necessário para ficar maior e mais forte,
" dizia Miller com seus modos amigáveis de se expressar, " é uma
compreensão básica do treinamento com pesos, e treinar duro ".
Assim como muitos entre estes vencedores do Mr. América, eu
aprecio e admiro Wilbur Miller.
E você sabe o que mais? Eu acredito que talvez haja um milhão ou
mais de homens nos Estados Unidos que são semelhante a Miller.
Estes homens não usaram drogas no passado e não pretendem
usá-las no futuro, mas eles ainda estão interessados em
construir tamanho muscular e força - até o grau máximo.
O New HIT pode lhes ajudar nisso, de uma maneira sadia e
sensata.
· Pergunta: O que
você acha em geral dos fisiculturistas profissionais modernos, e
a direção do esporte?
· Darden: Ei, eu fui um fisiculturista durante 45 anos. Eu
admiro músculos grandes e bem-desenvolvidos. Eu admiro ombros
largos e postura militar. Eu admiro definição e simetria.
Na cena profissional de hoje, eu vejo pedaços e fragmentos do
que eu admiro: Os antebraços de Lee Priest, a porção superior
dos braços de Ronnie Coleman, os peitorais do Günter Schlierkamp,
os dorsais do Chris Cormier, os abdominais do Ahmad Haidar, as
coxas do Jay Cuttler, e as panturrilhas do Mike Matarazzo. Mas
eu não vejo um pacote completo, conforme o exibido pelos físicos
do Sérgio Oliva e do Arnold Schwarzenegger no início dos anos
70, e mais recentemente, Dorian Yates em 1992.
Ao invés, eu vejo bíceps e tríceps deformados, deltóides
bombeados cheios de alguma coisa líquida, barrigas dilatadas de
115 cm, panturrilhas que não contraem, muscularidade anormal,
cabeças do tamanho de bolas de praia, e simetria muito ruim. A
maioria dos competidores de hoje não é merecedor de atenção nem
em shows de aberrações. Estão até mesmo pior do que isso.
O bastante é o bastante. Precisa haver um retorno a algo mais
aprazível aos olhos, algo mais agradável e civilizado. Talvez o
New HIT possa ajudar de algum modo. E assim eu espero.
Bodybuilding Mail -
voce@bodybuilding-mail.com
Quilo por quilo
Esse baixinho, o Lee
Priest, é um dos mais musculosos bodybuilders do planeta. Ao
contrário de atletas baixos do passado, como Franco Columbu, Lee
vai alem da simetria, conseguindo juntar tamanho e qualidade só
vistos em atletas bem mais altos.
Um dos grupos musculares que sempre chamaram atenção nele foram
os braços. Imaginem um braço de mais de 55 cm, um cara com peso
de competição de mais de 110 kgs, e junte tudo isso em uma
altura de menos de 1.60 m. Que tal ? Freaky !
E que tal conhecermos a rotina de treino de braços que fizeram
dele um dos grandes do bodybuilding profissional. A rotina de
treino que serviu de base para seu crescimento, antes mesmo de
que ele estivesse entre os competidores do Mr. Olympia ?
Para começar, Lee não é adepto de treinos com pesos leves,
muitas repetições. Ele não acredita em exercícios com máquinas,
cabos. Para ele, um bodybuilder tem quer ter a força que
aparenta ter. Acredita que existe a relação entre a força
muscular e o tamanho do sujeito.
Seus métodos são os mesmos da velha geração: vários exercícios,
repetições entre 5 e 12, e peso, muito peso ! Heavy Duty, Hit,
DC, nem pensar.
Muito conhecido por praticar um off-season de verdade, ou seja,
Lee engorda mesmo fora das competições. Assim acha que pode
proteger seus ligamentos, tendões e músculos do treino intenso e
pesado. Costuma ultrapassar a casa dos 120 kgs nessa fase,
caindo para cerca de 100 Kgs nas vésperas das competições.
Você já leu aqui no Treino Pesado que não adiante restringir
calorias e esperar um crescimento muscular de verdade. É
extremamente difícil, e raro, manter-se com índices de gordura
baixos e ganhar massa magra ao mesmo tempo. Caras que tentam
isso acabam mantendo a mesma aparência ano após ano, sem
mudanças. Já os que aumentam sua ingestão calórica, priorizando
uma dieta com qualidade (muita proteína, muito carbo, gordura
moderada) conseguem ótimos ganhos e realizam mudanças de verdade
em seu corpo. Todos os grandes fisiculturistas usam essa
metodologia, e conseguem melhorar ano após ano. Nos dias de
hoje, já não assusta mais saber que esse ou aquele atleta chega
aos 130, 140 kgs em seus períodos de off-season.
Tá bom, tá bom, você leu na Boa Forma, viu na Ana Maria Braga,
seu instrutor da academia te disse, que você vai fazer uma série
"pra queimar gordura e ganhar músculo ao mesmo tempo". Fica a
dica, mude de leitura, de canal de tv, de academia.
Lee, nos seus primeiros anos, costumava seguir a rotina de 4 X
1, treinando quatro dias, descansando um, e recomeçando:
Dia 01 - Peito e Bíceps
Dia 02 - Ombros e Tríceps
Dia 03 - Costas
Dia 04 - Pernas
Ele nunca ficava por muito tempo com a mesma rotina, algumas
vezes mudando para 5 x 1, cinco dias por um de descanso:
Dia 01 - Peito
Dia 02 - Costas
Dia 03 - Ombro e Femural
Dia 04 - Bíceps e Triceps
Dia 05 - Coxas
Com essa rotina Lee enfatizava os músculos grandes, peito,
costas e pernas, com dias voltados só para eles. O baixinho
explica que fazia assim quando sentia necessidade de dar um
tempo maior de descanso para os grupos musculares.
Sempre priorizava exercícios básicos, baixo número de repetições
e várias séries de cada exercício. Começava com cargas mais
baixas e seguia aumentando.
OS BÍCEPS
Lee dizia ter melhores resultados em termos de braços nos
períodos em que treinava bíceps e tríceps no mesmo dia. Embora
os tríceps sejam um grupo maior do que os bíceps, Lee,
contrariando uma das leis da musculação, de treinar o músculo
maior antes do menor, começava sempre pelos bíceps. Essa foi um
conselho do primeiro Mr. Olympia, Larry Scott, conhecido pela
qualidade dos seus braços.
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